A importância da diversificada ração animal para o setor de etanol.

As proteínas estão em alta demanda pelo mundo. À medida que cresce a demanda, junto com a classe média, atender a exigência pedirá maior disponibilidade de rações animais ricas em proteína para os animais de corte que consumimos.

Por Mallorie F. Wilken, PhD May 31, 2019

Tradicionalmente, uma fonte de proteínas econômica é os grãos de destilação, usados para alimentação de porcos, aves e gado leiteiro e de corte. A pesquisa apresentou oportunidades para alimentar peixes e outras espécies aquáticas. A versatilidade dos grãos de destilação aumentou sua demanda global para alimentar os animais de corte.

Ao mesmo tempo, a demanda por proteína está crescendo, o setor de etanol está amadurecendo e buscando formas de adicionar várias fontes de receita. A diversificação é necessária e essencial para que as usinas continuem lucrativas, neste mercado experiente.

A importância da diversificada ração animal para o setor de etanol.

Figura 1. À medida que a quantidade de carne que os seres humanos consomem aumenta, aumenta também a demanda por produtos de proteína alimentar. Fonte: FAO, 2018

A função das tecnologias de separação nas novas rações animais

Grãos de destilação com proteína concentrada serão uma das rações animais que ajudará as fábricas a desenvolver novos fluxos de receita, continuando a fornecer alimentação para animais, para atender o consumo global de carne. Como cada espécie de animal de corte tem exigências nutricionais diferentes para alcançar o desempenho ideal, as formulações incorporam ração animal em várias proporções, para atender essas exigências. Ainda que milho seja tradicionalmente a principal commodity para adicionar energia a uma dieta para porcos, aves e gado, o farelo de soja é visto como fornecedora de proteína, por causa do perfil de aminoácidos mais apropriado para atender as necessidades dietéticas de porcos e aves em comparação com o milho.

Mais recentemente, os grãos de destilação substituíram a maioria dos suplementos de proteína nas dietas de gado, mas essa proteína do milho não é suficientemente alta em teor de lisina ou tão equilibrada em aminoácidos, como o farelo de soja, e portanto não pode oferecer uma substituição semelhante nas dietas de porcos e aves. Produtos alimentícios de destilação com alto teor de proteína podem fornecer um volume maior de proteína com menor nível de inclusão, em comparação com grãos de destilação tradicionais. No entanto, ainda é a proteína do milho e a proporção de lisina para leucina continua sendo 3:1, em comparação com 1:1 no farelo de soja, que precisa ser levada em conta. Grãos de destilação com alto teor de proteína têm potencial para substituir porções de farelo de soja e tornar a dieta mais econômica para o produtor, ao mesmo tempo mantendo o desempenho. Novas pesquisas estão sendo conduzidas para nos ajudar a entender melhor os níveis ideais de inclusão do produto alimentício em cada espécie.

Fatores adicionais a considerar nas dietas dos animais

É importante observar que, apesar de valiosa, a proteína não é o único componente dos grãos de destilação que oferece vantagem alimentar quando adicionada às dietas dos animais. Fibra, gordura e outras propriedades intrínsecas são fatores adicionais. O farelo ou porção de fibras do milho tem aproximadamente 20% de conteúdo proteico (com base em matéria seca). Esta proteína é incrivelmente valiosa na dieta do gado, já que o ambiente microbial no rumen consegue digerir e utilizar essa fibra para obter energia e crescimento, diferentemente do que ocorre com os suínos e as aves. Os criadores de gado observarão, em geral, benefícios da ingestão e para a saúde das dietas contendo grãos de destilação em comparação com as dietas sem o produto. O gado apresentará taxas de consumo mais consistentes e, por isso, menos problemas digestivos. A capacidade de separar os fluxos de proteína e fibras tem potencial para direcionar a ração animal para mais comodities específicas a espécies e aumentar a receita para a usina. Quando os grãos de destilação com alto teor de proteína e fibra de milho, misturados com solúveis de destilação condensados, como a nova ração da ICM, Fiber&Syrup (FS), são comparados com os tradicionais grãos de destilação secos ou úmidos, mais solúveis (WDGS ou DDGS), nas dietas do gado de corte, os animais apresentaram desempenho estatisticamente semelhantes (veja a Tabela 1). O gado que estava consumindo dietas com produtos de ração à etanol com 40% de inclusão (à base de matéria seca) apresentou desempenho semelhante ou melhor do que o gado alimentado apenas com dietas de milho.

Como os produtos de ração à etanol foram oferecidos em níveis de proteína acima do exigido, o gado conseguiu utilizar a ração como fonte de energia. Isso mostra também que, enquanto as exigências de proteína forem atendidas, o gado “desperdiçará” a proteína fornecida pelos produtos de ração à etanol como energia, conforme mostrado na Tabela 1, pelo desempenho equivalente ao do gado alimentado com grãos de destilação com alta proteína (37% de proteína bruta) e FS (32% de proteína bruta). Se o gado conseguir desempenho semelhante com proteína suficiente, mas em menor quantidade na dieta, devemos adicionar FS nos pátios de alimentação e utilizar os produtos mais concentrados, com maior nível de proteína, para espécies como suínos e aves, onde a proteína é valiosa e cara.

Resultados do uso de ração animal derivados de etanol na dieta de novilhos terminados

Peixes são uma fonte de proteína com crescente demanda global para consumo humano. Esta mudança de demanda está oferecendo oportunidades para a criação de peixes (Figura1). Os grãos de destilação com alto teor de proteína oferecem melhor desempenho nas tilápias quando adicionados à dieta com inclusão de 15% ou 25% (matéria seca), conforme mostrado na Tabela 2. Tilápias alimentadas com grãos de destilação com alto teor de proteína da ICM, a 15% ou 20%, apresentaram maior rendimento de peso (0,28% e 0,29% respectivamente) em comparação com aquelas alimentadas com uma dieta de controle tradicional de 0,26%. Esses resultados sugerem uma oportunidade para produtos de ração com proteína concentrada, derivados do etanol.

Tilápia alimentada com 0, 15 ou 20% de grãos ricos em destilados de proteína

À medida que a produção animal e de ração cresce para atender a demanda por proteína, novas exigências e as orientações da Food and Drug Administration, dos EUA, exigirão tecnologia e inovação para abordar a necessidade de consistência, fornecendo novas oportunidades para impulsionar o faturamento da usina de etanol. Consistência e verificação impulsionarão a fidelidade do cliente para comprar a ração e o preço pelo qual escolhem comprar, especialmente quando os grãos de destilação passam de um subproduto de etanol para uma commodity de alimentação, nas mentes dos produtores animais.

O equilíbrio ideal para as usinas de etanol hoje é obtido ao melhorar o sistema de produção de etanol e aumentar a receita através de rações diversificadas, que atendam as necessidades dos mercados comercial e local. As condições do mercado estão forçando as usinas de etanol a reavaliar seus atuais métodos de produção, em relação à flexibilidade da usina. As usinas devem ser capazes de criar valor em todas as facetas de produção, incluindo etanol, óleo de milho e produtos de ração. Isso exige que as usinas adotem tecnologias de processo que separam fluxos de alimentação e permitem que a usina recombine, concentre ou processe cada ração para atender as demandas.